sábado, 18 de julho de 2009

Leitura recomendada

O nome dele é Luciano Klöckner, jornalista e professor na FAMECOS (Pucrs), tive o privilégio de além de ter sua amizade conhecer seu trabalho e ter o prazer de convida-lo para minha banca de monografia intitulada “PATROCINADORES DO GOLPE, A PROPAGANDA CONSPIRADORA, Como e quando se derruba um presidente da república com propaganda ideológica”.

Antes de falar de um grande trabalho que ele vem elaborando sobre a Segunda Cadeia da Legalidade, me vejo no dever de retratar e elucidar a história, salientando duas grandes obras escritas por ele. Sem dúvidas são obras que ajudam a reconstruir nossa história.

Obras de Luciano Klöckner que apresento e recomendo:

O diário político de Sereno Chaise, 60 anos de história, Ed. AGE Ltda.



Traz o relato de quem acompanhou os principais momentos do país desde 1946, quando entrou para a Ala Moça do velho PTB, o Partido Trabalhista Brasileiro, e os acompanha até hoje. O livro, em linguagem testemunhal, conta detalhes da convivência com personagens marcantes da política gaúcha, brasileira e mundial. Ao mesmo tempo em que reconstrói o cenário da época, o livro-depoimento revela passagens inéditas da história brasileira em episódios como a Cadeia da Legalidade em 1961, a Operação Brother Sam e o Golpe Militar de 64, as Cassações, as Prisões e o Exílio de Brizola e de Jango.

O Repórter ESSO. Ed AGE Ltda.



Lá para o final dos anos 1980, o jornalista Luciano Klöckner editava como ninguém os noticiários da Rádio Gaúcha, em Porto Alegre. Já era, então, fascinado pelo Repórter Esso. O boletim informativo da Standard Oil Company of Brazil, mais tarde Esso Brasileira de Petróleo, tem de fato este poder.
Constituído como uma espécie de porta-voz da Política de Boa Vizinhança do governo dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra, esta produção da United Press introduziu, com o tempo, um noticiário mais conciso, mais objetivo, mais claro no panorama radiofônico do país.
É claro que foi objetivo, conciso e claro conforme os interesses da maior potência do planeta e de uma de suas principais corporações. Tendo encarado o desafio de estudar um assunto tão rico e multifacetado no seu mestrado e doutorado em Comunicação, Luciano está lançando, agora, “O Repórter Esso – A síntese radiofônica mundial que fez história”.
Ao desavisado, pode parecer estranho que, quatro décadas depois da última transmissão do Esso em solo brasileiro, pela Rádio Globo, do Rio de Janeiro, o noticiário ainda desperte tanto interesse. A idéia do informativo, no entanto, está ainda muito presente no imaginário das pessoas. Basta lembrar que, em programas de televisão ou mesmo em brincadeiras estudantis em vídeo, quando alguém quer representar um noticiário deste tipo, marcar uma época até, apela para uma trilha musical que lembra a do Esso.
Parece muito mais estranho que só agora se dedique um livro ao noticiário. Afinal, foi através deste informativo que o Brasil acompanhou as batalhas da Segunda Guerra, soube do final do conflito e comemorou a vitória dos Aliados. Foi pelo Esso que o país parou para chorar a morte de Getúlio Vargas.
Também, é claro, foi este o informativo que se calou ante o surgimento da Petrobras e serviu de esteio à oposição ao governo constitucional de João Goulart. Por esta história toda, transita com desenvoltura Luciano Klöckner em um livro que é um marco na moderna produção bibliográfica a respeito do rádio. Fora o texto em si do professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, há fotos e, também pela primeira vez no país, uma edição em fac-símile do “Manual Radionoticioso de La United Press em América Latina”, pioneiro em tentar unificar o texto radiofônico neste canto do planeta. Tudo harmoniosamente reunido, como fazem sempre os bons editores, como já fazia o Luciano naqueles tempos de Correspondente Alfred, Ipiranga ou outro patrocinador para o qual o Departamento Comercial da Gaúcha vendia o noticiário, aliás, a exemplo também do Repórter que era Esso pela força do seu patrocinador.

Um comentário:

Bibiana disse...

Oi! Sou Bibiana, neta mais velha do Sereno. Li seu post, e me senti muito tocada com a delicadeza da escolha das tuas palavras, que transmitem força e emoção simultaneamente. Muito obrigada!